Batalhão  2908

 

Unango - Macaloge - Pauila

 
1970

MOÇAMBIQUE

1972

 
 

CURIOSIDADES do BC 2908

 
  Sempre Criança

Poema que foi censurado pelo responsável do “Horizonte “ (também, não é de admirar!) e que motivou o fim da minha participação no referido periódico.

 
 

Tu, que adormeces sorrindo

Abraçado ao teu ursinho;

Tu, que sonhas com fadas

Praticando o bem na Terra;

Tu, que distribuis carinho

Aos gatos e cães da rua;

Tu, que ingenuamente

Agarras o vento na tua mão;

Tu, que amas ternamente,

Tudo que a Natureza criou;

Tu, que tens sempre p`ra dar

Carícias a toda a gente;

Tu  que sabes perdoar

Aqueles que te castigam;

Tu, que na tua pureza

Corres nu sobre a`reia;

Tu que passas descalço

A caminho da tua escola;

Tu, que trazes no olhar,

A mensagem de paz aos homens;

Tu, que não compreendes

Porque há guerra e fome.

 

 

Tu, adorável e sublime criança

Destrói todos os brinquedos - armas

Que o homem, hipócrita, te dá.

Tu, ingénua e pura criança,

Percorre as ruas do mundo e,

Com uma pomba na mão

Grita aos homens até que ouçam;

Diz-lhes que basta de guerras

Que basta de tanta opressão.

Ensina-lhes a amar os outros

Como tu sabes fazer.

Grita-lhes!

Mesmo que te mandem calar,

Que a vida não faz sentido

Existindo ricos e pobres,

E, tu criança, continua como és

E, só queiras um dia crescer

Quando souberes ser criança

Por todos os anos da tua vida

 

Jorge Alexandre

Chaves, 1969

 

 
 
 

I N C O N F O R M I D A D E !...

 

Simples e franzino

D’olhar mui distante,

É assim o ZÉ,

Um ZÉ de vida errante!...

Nunca foi menino,

À Mãe não fez segredos,

As pedras do caminho

Foram seus brinquedos!...

Nunca teve o pobre

Leitinho ou café.

Isso era para os “RICOS”,

Nunca para o ZÉ!...

Umas pobres migas,

Com a malga ao colo

Foram seu enlevo,

Todo o seu consolo!...

Os anos passaram,

As árvores cresceram,

Os seus Pais morreram

E, também a Avó.

E o ZÉ, muito triste, ficou só!...

Dorme ao relento

E, como tecto, tem o céu de todos.

A casa era alugada

E, como tal,

Veio gente da “cidade”,

“Importante”, “desigual”,

E puseram-no cá fora

Com maus modos!...

Nada disse o ZÉ.

Saiu. Obedeceu.

Era evidente!

Impossível “remar” contra tal “gente”!

Vagueou, errante, pelas redondezas,

Passeando a fome, curando tristezas,

Tocou na sua flauta,

(Teve sonhos multicores…)

Comeu amoras do beiral!...

Nada disse o ZÉ.

Saiu ,...  Obedeceu !…

Eles eram os “SENHORES”!...

Os “Reis” do CAPITAL!...

Ele era um ZÉ pedinte,

Um mísero mortal!...

Vida amarga,

Difícil vida a da ZÉ!...

A daquele rapaz simples

Que, sendo pobre,

Puseram na rua

E pede esmola à porta do café!...

 

 

 PAUILA/Niassa – Moçambique, Fevereiro de 1971

 

AMÂNDIO MEIRA

Alferes Miliciano de Infantaria

          ( C.CAÇ. 2669)

 
 
 
 

ÒH MEU RICO SÃO JOÃO !

Ao S. João da Ribeira
Eu hei-de ir de mesmo “dorido”!
P’ra ver se o SILVA PEREIRA

Não faltou ao prometido!...
Vestido e “engomado”
De delfim ou de marujo!...
Com o meu tom “encarnado”
Tal como o ZÉ ARAÚJO!


Será noite bem passada,
De “guerra”… o último grito!

C’a bela sardinha assada
Mái’lo picante cabrito!

O ROCHINHA – o capitão!
Não boicotará tarefa!
E p’ra maior união,
Vai “clamar” pelo JOSEFA!..

Não ficaremos “ fraquinhos!...
Apesar da “caramunha”!...
Chamaremos o LUSQUIÑOS
Mai’lo nosso amigo CUNHA!...

P’ra melhor “ler” o baralho,
Sem receio ou qualquer medo,
À esquerda, o CARVALHO!...
À direita, o FIGUEIREDO!...

Vamos lá ver o que dá!..
Pois não queremos barrete!
E o MARQUES, do Canadá!..
Falará com o CADETE!...

Em noite de São João,
A primazia, p’rás damas!...
Mas a parte de leão,
Caberá ao amigo LAMAS!...

E EM DIA DE SÃO JOÃO

Este vosso Amigão,
Nos idos anos setenta,
Consciente, ou talvez não!...
Levantou bomba d’avião,

A maior do Batalhão!...
Na picada de Olivença!...
A “mina” era de madeira!...
Mais os petardos (20) - Trotil!...

E o vosso amigo Meira,
Com o p’rigo bem à beira…
Quase virou feito em mil!...
Continuemos em frente,
Para longe o imprevisto!...
Desculpem lá, minha gente,
Mas hoje, assim de repente!...
Sem querer, deu-me p’ra isto!...
 

AMÂNDIO MEIRA - 23/06/2010

 
 
 

D E S A B A F O !...

Velo os teus lábios carnudos,
Além, perdidos na bruma.
As horas fatais não passam,
Corvos se evolam na espuma!
Sobem algas para os teus olhos,
Descobrindo a tua nudez sincera.
Mas já tudo dorme!...
A calma impera e desespera!
A natureza, sozinha, chora.

 

Os olhos das trevas espreitam
O nada de novo!...
E, lá fora,   
Há flores e giestas nos “beirais”!...
Cotovias cantando baladas
Afinadas e iguais!...
Estrelas vagueiam nos ares,
Nos espaços siderais!...
Mas já tudo dorme

 

Nos seus “lares”.
Não há quem queira ver,
Cegos são “eles”, malditos chacais!...
Olham e nada vêem!
Mas que vejam!... Que vejam!...
Essa miséria que paira nos lares!
As crianças famintas que choram,

Mendigos exangues que imploram

Às portas dos casais,
Rotos, famintos, DESIGUAIS!
Eles querem pão!

 

Dêem-lhes a mão!
Tenham coração!...

SEJAMOS IGUAIS !

 

 

PAUILA/Niassa – Moçambique, Março de 1971.

 AMÂNDIO MEIRA

Alferes Miliciano de Infantaria

 

 
NOTA – Esta foi uma das poesias que entreguei ao nosso alferes Capelão – Rev. José Maria Gomes Pereira, em Março de 1971, para ser publicado no “nosso” Jornal HORIZONTE e que mereceu do nosso comandante o seguinte “despacho”: NÃO AUTORIZADO A PUBLICAR. Depois (off the record), disse ao meu querido amigo Padre Zé Maria: - manifesta tendências socialistas!... Lembras-te Zé Maria?    
     
     
 

A Macaquinha do Manel Cantineiro

 

Sino da Capela

     
 

As Vacas, que bem cedo, o Comandante mandou abater

 

Avenida Melo Egídio

     
 

Modelo de Mensagem de Serviço

 

Messe de Oficiais Recibo

     
 

Telegrama de comunicação de ferido em combate

 

Jogo de Sorte e Azar Lembram-se?

 
 

 
 

Projecto de construção de um sistema de rebenta-minas  com protecção  da viatura