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Batalhão
2908 |
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Unango - Macaloge - Pauila |
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CURIOSIDADES
do BC 2908 |
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Sempre Criança
Poema que foi
censurado pelo responsável do “Horizonte “
(também, não é de admirar!) e que motivou o fim
da minha participação no referido periódico.
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Tu, que adormeces sorrindo
Abraçado ao teu ursinho;
Tu, que sonhas com fadas
Praticando o bem na Terra;
Tu, que distribuis carinho
Aos gatos e cães da rua;
Tu, que ingenuamente
Agarras o vento na tua mão;
Tu, que amas ternamente,
Tudo que a Natureza criou;
Tu, que tens sempre p`ra dar
Carícias a toda a gente;
Tu que sabes perdoar
Aqueles que te castigam;
Tu, que na tua pureza
Corres nu sobre a`reia;
Tu que passas descalço
A caminho da tua escola;
Tu, que trazes no olhar,
A mensagem de paz aos homens;
Tu, que não compreendes
Porque há guerra e fome.
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Tu, adorável e sublime criança
Destrói todos os brinquedos - armas
Que o homem, hipócrita, te dá.
Tu, ingénua e pura criança,
Percorre as ruas do mundo e,
Com uma pomba na mão
Grita aos homens até que ouçam;
Diz-lhes que basta de guerras
Que basta de tanta opressão.
Ensina-lhes a amar os outros
Como tu sabes fazer.
Grita-lhes!
Mesmo que te mandem calar,
Que a vida não faz sentido
Existindo ricos e pobres,
E, tu criança, continua como és
E, só queiras um dia crescer
Quando souberes ser criança
Por todos os anos da tua vida
Jorge Alexandre
Chaves, 1969
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I N C O N F O R M I D A D E !...
Simples e franzino
D’olhar mui distante,
É assim o ZÉ,
Um ZÉ de vida errante!...
Nunca foi menino,
À Mãe não fez segredos,
As pedras do caminho
Foram seus brinquedos!...
Nunca teve o pobre
Leitinho ou café.
Isso era para os “RICOS”,
Nunca para o ZÉ!...
Umas pobres migas,
Com a malga ao colo
Foram seu enlevo,
Todo o seu consolo!...
Os anos passaram,
As árvores cresceram,
Os seus Pais morreram
E, também a Avó.
E o ZÉ, muito triste, ficou só!...
Dorme ao relento
E, como tecto, tem o céu de todos.
A casa era alugada
E, como tal,
Veio gente da “cidade”,
“Importante”, “desigual”,
E puseram-no cá fora
Com maus modos!...
Nada disse o ZÉ.
Saiu. Obedeceu.
Era evidente!
Impossível “remar” contra tal
“gente”!
Vagueou, errante, pelas redondezas,
Passeando a fome, curando tristezas,
Tocou na sua flauta,
(Teve sonhos multicores…)
Comeu amoras do beiral!...
Nada disse o ZÉ.
Saiu ,... Obedeceu !…
Eles eram os “SENHORES”!...
Os “Reis” do CAPITAL!...
Ele era um ZÉ pedinte,
Um mísero mortal!...
Vida amarga,
Difícil vida a da ZÉ!...
A daquele rapaz simples
Que, sendo pobre,
Puseram na rua
E pede esmola à porta do café!...
PAUILA/Niassa
– Moçambique, Fevereiro de 1971
AMÂNDIO MEIRA
Alferes Miliciano de Infantaria
( C.CAÇ. 2669) |
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ÒH MEU RICO SÃO JOÃO !
Ao S. João da Ribeira
Eu hei-de ir de mesmo “dorido”!
P’ra ver se o SILVA PEREIRA
Não faltou ao prometido!...
Vestido e “engomado”
De delfim ou de marujo!...
Com o meu tom “encarnado”
Tal como o ZÉ ARAÚJO!
Será noite bem passada,
De “guerra”… o último grito!
C’a bela sardinha assada
Mái’lo picante cabrito!
O ROCHINHA – o capitão!
Não boicotará tarefa!
E p’ra maior união,
Vai “clamar” pelo JOSEFA!..
Não ficaremos “ fraquinhos!...
Apesar da “caramunha”!...
Chamaremos o LUSQUIÑOS
Mai’lo nosso amigo CUNHA!...
P’ra melhor “ler” o baralho,
Sem receio ou qualquer medo,
À esquerda, o CARVALHO!...
À direita, o FIGUEIREDO!...
Vamos lá ver o que dá!..
Pois não queremos barrete!
E o MARQUES, do Canadá!..
Falará com o CADETE!...
Em noite de São João,
A primazia, p’rás damas!...
Mas a parte de leão,
Caberá ao amigo LAMAS!...
E EM DIA DE SÃO JOÃO
Este vosso Amigão,
Nos idos anos setenta,
Consciente, ou talvez não!...
Levantou bomba d’avião,
A maior do Batalhão!...
Na picada de Olivença!...
A “mina” era de madeira!...
Mais os petardos (20) - Trotil!...
E o vosso amigo Meira,
Com o p’rigo bem à beira…
Quase virou feito em mil!...
Continuemos em frente,
Para longe o imprevisto!...
Desculpem lá, minha gente,
Mas hoje, assim de repente!...
Sem querer, deu-me p’ra isto!...
AMÂNDIO
MEIRA - 23/06/2010 |
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D E S A B A F O !...
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Velo os teus lábios carnudos, |
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Além, perdidos na bruma. |
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As horas fatais não passam, |
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Corvos se evolam na espuma! |
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Sobem algas para os teus olhos, |
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Descobrindo a tua nudez sincera.
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Mas já tudo dorme!... |
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A calma impera e desespera! |
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A natureza, sozinha, chora. |
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Os olhos das trevas espreitam |
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O nada de novo!... |
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E, lá fora, |
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Há flores e giestas nos
“beirais”!... |
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Cotovias cantando baladas |
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Afinadas e iguais!...
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Estrelas vagueiam nos ares, |
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Nos espaços siderais!... |
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Mas já tudo dorme |
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Nos seus “lares”. |
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Não há quem queira ver, |
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Cegos são
“eles”, malditos chacais!... |
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Olham e nada vêem! |
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Mas que vejam!... Que vejam!... |
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Essa miséria que paira nos
lares! |
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As crianças famintas que choram, |
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Mendigos exangues que imploram |
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Às portas dos casais, |
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Rotos, famintos, DESIGUAIS! |
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Eles querem pão! |
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Dêem-lhes a mão! |
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Tenham coração!... |
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SEJAMOS IGUAIS ! |
PAUILA/Niassa – Moçambique,
Março de 1971.
AMÂNDIO
MEIRA
Alferes Miliciano de Infantaria |
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NOTA –
Esta foi uma das poesias que entreguei
ao nosso alferes Capelão – Rev. José
Maria Gomes Pereira, em Março de 1971,
para ser publicado no “nosso” Jornal
HORIZONTE e que mereceu do nosso
comandante o seguinte “despacho”: NÃO
AUTORIZADO A PUBLICAR. Depois (off
the record), disse ao meu querido
amigo Padre Zé Maria: - manifesta
tendências socialistas!...
Lembras-te Zé Maria? |
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A
Macaquinha do Manel Cantineiro |
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Sino da
Capela |
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As
Vacas, que bem cedo, o Comandante mandou abater |
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Avenida
Melo Egídio |
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Modelo de Mensagem de Serviço |
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Messe de Oficiais Recibo |
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Telegrama de
comunicação de ferido em combate |
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Jogo de
Sorte e Azar Lembram-se? |
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Projecto
de construção de um sistema de rebenta-minas
com protecção da viatura |
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