Batalhão  2908

 

Unango - Macaloge - Pauila

 
1970

MOÇAMBIQUE

1972

 
 
 
O Inicio da Confusão  
 

Actividades durante o mês de Junho 1971

Durante o mês de Junho, o In manteve as características de actuação neste Sub- Sector, com flagelações , emboscadas e implantação de engenhos explosivos.

Implantou armadilhas na área de Olivença, destruiu pelo fogo a estrutura de madeira da ponte Lumbiza na picada MACALOGE- UNANGO e colocou 1 mina A/C reforçada com 30 petardos de trotil , nas proximidades da referida Ponte.

De 08 a 13 JUN 71, com Héli- transporte, foi executada a OP. “JAGUAR lll, na qual tomaram parte 03 companhias deste B. Caç. 2667, 2668, e 2669 na região da Serra JÉCI, margens do RLISANGE e Mte CHITAGALO.

O IN flagelou e emboscou por diversas vezes as NT às quais causou 1 morto (Soldado).

Nesta operação foi causado ao In 1 morto, capturados elementos da população sob controle In, capturadas armas, documentos, destruídas mais de 7 Ha de machambas e muitas palhotas.

Foi também destruída a “Escola MANIAMBA” e capturados ainda muitos livros de religião Muçulmana e destruída a Base CHILOWELO com 10 palhotas.

Como consequência desta operação, é de admitir que tenha resultado desarticulação da organização In na Serra JÉCI, quer pela envergadura da acção, quer pela destruição de meios de vida e da insegurança causada às populações sob o seu controle, cuja confiança deve ter ficado mito abalada.

É muito provável que o In disperse e leve a efeito acções de represália, como a que se verificou em 12 Jun 71, com a destruição pelo fogo da Ponte Lumbiza e com a implantação de 1 mina A/C reforçada com 30 petardos de trotil nas proximidades da referida Ponte.

O pelotão de Sapadores deste B. CAÇ em apenas dois dias de trabalho intensivo, reconstruiu a citada Ponte que ficou novamente a dar passagem a todo o tipo de viaturas.

A mina A/C anteriormente referida, foi detectada pelas NT e levantada por motivos operacionais, detectação que ficou a dever-se mais uma vez á notável acção dos pesquisadores P- 158.

As duas armadilhas implantadas pelo In na área de OLIVENÇA, tendo uma sido accionada voluntariamente pelas NT (denúncia da sua localização por 1 Milícia da A. Administrativa) e outra accionada involuntariamente quando se procedia a uma batida no local. Este engenho causou ferimentos a 1 Sargento, 5 praças e a um elemento da população.

Verificou-se que a armadilha accionada voluntariamente pelas NT estava muito bem montada, quer no aspecto de camuflagem, quer no aspecto de sensibilidade.

O engenho explosivo involuntariamente accionado, tinha o arame de tropeçar cerca de 3 metros para cada lado do trilho, o que põe em evidência o facto do In já se ter apercebido da nossa progressão a corta-mato, mas por vezes a curta distância dos trilhos existentes, o que mais uma vez serve de ensinamento para as NT que devem preocupar-se, durante a progressão no mato, em afastarem-se o mais possível dos trilhos ou picadas existentes na área de operações.

No período, as NT deram continuidade a intensa actividade operacional. Continuou o Comando deste Batalhão a envidar todos os esforços no sentido de uma eficiente protecção às colunas tácticas e logísticas, com pesquisa de engenhos explosivos, e protecção contínua e descontínua dos itinerários.

Foi assim possível continuar a manter-se uma completa segurança a todas as colunas em movimento nos itinerários existentes neste SUB-SECTOR, sem quaisquer ocorrências ou danos pessoais ou materiais, conforme se verificou durante o mês de Junho e se tem verificado desde que este B.Caç. entrou em sector há 16 meses.

O armadilhamento dos flancos e pontos críticos do itinerário (pontes e pontões), o qual prosseguiu nos últimos meses, deve estar na origem da notável diminuição de colocação de engenhos explosivos em todos os itinerários.

Nota-se também óptima mentalização em todo o pessoal integrado nas colunas, factor muito importante e que é de salientar.

Além da Op “JAGUAR lll” a que já foi feita referência, foram executadas diversas operações com missão de batida, destruição de todos os meios de vida do In, montagem de emboscadas , procura insistente de guerrilheiros In por toda a parte, tendo em vista obter informações referentes á localização dos seus locais e refugio e á captura de documentos e de material de guerra.

É também sempre tentada a recuperação de populações sob controlo In exercendo-se sobre as mesmas adequada acção psico-social.

Sem contacto com o In, foram executadas as seguintes operações:

C.CAÇ. 2668

Operações  “ALCAVALA 3 e 4”

C.CAÇ 2669

Operações “ALICATE 3 e 4”

3ª. CCAÇ/BC 20

Operações “ALJUBE 1, 2, 3, 4 e 5”

Em 21de Junho, por via aérea, visitaram MACALOGE, S.Exª. Revª . Capelão - Mór das forças armadas Brigadeiro D. António dos Reis Rodrigues e Exmº Comandante do SECTOR  A, Coronel – Tirocinado Vasco António Lopes da Eira.

Acção Psicológica Conduzida pela Unidade

No período, tem sido dada continuidade á acção psicológica desenvolvida por esta unidade, nomeadamente com assistência médico – sanitária, alimentação fornecida ás escolas e população inválida.

Construíram-se no aldeamento de maior densidade populacional de MACALOGE 2 Balneários piloto improvisado, constituído cada um por uma bateria de 3 bidons de 200 litros, com chuveiros cromados, sendo um destinado a homens e outro a mulheres. Cada balneário tem a capacidade de 1200 litros e os bidons são cheios pelo carro da água da unidade, duas vezes por dia, podendo tomar banho 3 pessoas simultaneamente em cada. Procede-se a acabamentos de estrados e esgotos improvisados.

Os recintos foram fechados por paliçadas feitas de bambu e capim e tem um aspecto atraente.

Solicitou-se uma banja a fim de ensinar homens e mulheres a utilizarem-se dos balneários e a fazerem um aproveitamento económico da água existente nos mesmos.

EVOLUÇÃO DA LUTA ANTI – MINAS NO SUB-SECTOR ASA (Março de 1970 a Junho de 1971)

01. Esta Unidade assumiu a responsabilidade do Sub – Sector ASA em 16 de Março de 1970.

02. Do antecedente e até á data indicada na alínea anterior, não havia minas a considerar no itinerário V. Cabral – Unango- Macaloge – Paúila, fazendo-se o deslocamento em viaturas isoladas, sem qualquer receio e sem medidas de segurança.

03. No dia 23 de Março de 1970, isto é, 7 dias após ter assumido a responsabilidade da Z. A. , o In destruiu a Ponte de betão armado, sobre o Rio LUMBIZA, com o comprimento aproximado de 20m utilizando uma carga de trotil, calculada em mais de 50 Kgs. TNT aplicada junto dos encontros e tabuleiro da Ponte.

04. Alguns dias depois, entre 5 e 23 de Abril de 1970, enquanto decorria a primeira Coluna Logística do Batalhão, foi a unidade surpreendida pelo accionamento involuntário de Minas A/C e A/P no troço de MACALOGE a PAÙILA, compreendida entre coordenadas (3523.1226) e (3525.1214), que causaram 3 feridos muito graves (sem pernas), 2 feridos ligeiros e a destruição de 2 viaturas Berliets.

05. A colocação de minas por parte do In, continuou em ritmo crescente até qur em Maio/ Junho se verificou existir á carga da C.C.S., 2 pesquisadores de Minas P-158, em estado impecável de conservação, aparentemente com o aspecto de nunca terem sido usados.

06. Entretanto provada a eficientíssima acção dos pesquisadores P-158, coordenada com o armadilhamento de todas as pontes e pontões e ainda alguns troços do flanco Oeste do I.P.R. além de outra medidas de carácter operacional de segurança dos flancos do próprio itinerário ( em uso nesta unidade) o aspecto da guerra de minas tomou novo rumo neste Su- Sector .

07. Pelo gráfico junto em anexo se podem tirar as seguintes conclusões:

a)     Estudando-se a curva representativa dos engenhos explosivos, verificando-se uma acentuada descida de valores durante os meses de MAIO, JUNHO e JULHO de 1970, devido certamente á acção de armadilhamento levado a efeito pela unidade em alguns pontos do flanco Oeste do I.P.R. e pontos sensíveis do itinerário (pontes e pontões).

b)     Verifica-se uma notável subida nos meses de Agosto e Setembro, correspondente ao período de abertura da picada PAÚILA – OLIVENÇA (época seca, única em que é possível executar Colunas Logísticas para esta última localidade.

c)    Atinge esta curva o ponto culminante no mês de NOVEMBRO, por corresponder ao período em que foram levadas a efeito acções contra a BA MOOLA, durante as quais foram capturadas e levantadas elevada quantidade de minas A/C e A/P, especialmente por intermédio de um prisioneiro – AIDE BUNANIA que acompanhado por elementos das NT levantou 16 Minas A/C e 6 Minas A/P.

d)    Nos meses seguintes, esta curva acompanha sensivelmente as representações dos feridos graves, feridos ligeiros e de viaturas parcialmente destruídas.

e)    Conforme demonstra o gráfico junto, embora elevados os valores dos engenhos explosivos implantados pelo In, são relativamente baixos os danos causados às NT tanto em pessoal como em viaturas auto.

Julga-se que estes resultados são devidos em grande parte às considerações feitas em 06.

QUADRO ESTATISTICO DE MINAS E ARMADILHAS IMPLANTADAS PELO IN DESDE           

              A ENTRADA DO B.CAÇ.2908 NO SUB – SECTOR ASA

MINAS E ARMADILHAS

ACCIONADAS

LEVANTADAS

FORNILHOS E ARMADILHAS

TOTAL

A/C

A/P

A/DUPLA

A/C

A/P

A/DUPLA

Do antecedente

23

6

-

56

16

5

4

110

TOTAL

23

6

-

56

16

5

4

110

 

 
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                  Mês de Julho de 1971