Batalhão  2908

 

Unango - Macaloge - Pauila

 
1970

MOÇAMBIQUE

1972

 
 
 
O Inicio da Confusão    
 

ACTIVIDADE NA R. M . M..

 

Primeiro período

No dia 04 de Março de 1970 o Batalhão de caçadores nº 2908 chegou á ZA que lhe foi distribuída, distribuindo os seus efectivos de forma seguinte:

 COMANDO – C. C. S……. MACALOGE

 Cª CAÇ 2667..........……….MACALOGE

 Cª CAÇ 2668...........………UNANGO

 Cª CAÇ 2669.....................PAUÍLA

Do antecedente, encontrava-se em Unango, a 1ª Cª Caç. 16, Sub- Unidade de força de intervenção do Sector, que ficou dependente, para efeitos de intervenção, do B. Cac. 2908, na ZA do Batalhão.

As primeiras preocupações do Comando do Batalhão foram:

1.- Recuperar o Material recebido do Batalhão rendido de forma  a torna-lo o mais eficiente possível.

2. – Reconhecimentos, de forma a fazer conhecer a todo o pessoal operacional, o mais urgente possível, as zonas de maior sensibilidade da ZA.

 O comando do batalhão assumiu a responsabilidade do Sub- Sector ASA em 16 Março de 1970.

Para cumprimento do nº1 foram difundidas às companhias, sucessivas instruções para accionarem todos os assuntos relativos á situação dos materiais, de forma a que estes se tornassem utilizáveis no mais breve espaço de tempo.

E assim, se foram regulando autos de incapacidade, de ruína, requisições, ordens de trabalho, etc.

Para a execução do nº 2, difundiram-se Directivas Operacionais, a primeira das quais se transcreve por constituir, por assim dizer, uma das “Linhas Mestras”que informou até  á presente data a execução dos Planos da Actividade Operacional.

DIRECTIVA  OPERACIONAL                    

1-     Observando as características da ZA atribuída ao Batalhão, verificaram-se três compartimentos bem definidos:

- ZONA DE PAUÌLA

- ZONA DE MACALOGE

- ZONA DE UNANGO

 2-     ACÇÃO DO IN

ZONA DE PAUÍLA - Zona de Infiltração IN.

Objectivo do IN : - Infiltração para SO.

Minas e armadilhas no itinerário PAUÌLA – OLIVENÇA para dificultar o patrulhamento da zona.

 ZONA de MACALOGE – á margem de infiltração e das bases IN.

Objectivo do IN:

Esporadicamente implantação de minas e armadilhas, para a insegurança e dificuldade de reforços para Unango.

ZONA de UNANGO – á beira do refúgio IN.

Objectivo do IN:

Dificultar ao máximo os movimentos da tropa na zona.

Acções de emboscadas, minas e armadilhas sobre o itinerário único.

3.- CONDUÇÃO GERAL DAS OPERAÇÕES DAS NT

Zona de PAUÍLA

MISSÃO interceptar a infiltração IN

- Interceptar os grupos IN da Implantação de minas e armadilhas sobre o                  

Itinerário PAUÍLA – OLIVENÇA

- Segurança próxima e imediata do estacionamento.

 EXECUÇÃO - Com base no estudo das informações completada com o estudo do terreno, das possibilidades e condicionamento do IN, escolher criteriosamente os locais de emboscada com base nas medidas de decepção e aproximação nocturna ao longo das linhas de água.

- Vigilância e emboscadas sucessivas nos flancos do itinerário PAUÍLA – OLIVENÇA.

- Exploração dos flancos do mesmo itinerário, de forma a possibilitar a referência de pontos IN de irradiação para acções de sabotagem.

- Organização de segurança imediata do estacionamento.

- Segurança próxima por emboscadas e patrulhamento sobre as direcções mais prováveis de ataque IN.

ZONA de MACALOGE

MISSÂO - interceptar os grupos IN de sabotagem sobre o itinerário MACALOGE -   

UNANGO, tendo em especial atenção o traço do LUMBIZA.

- Defesa imediata e próxima do estacionamento.

- Em coordenação com UNANGO e MANIAMBA orientar as operações  

Ofensivas na direcção da SERRA JÉCI.

EXECUSSÂO - Vigilância e emboscadas nos flancos do itinerário MACALOGE - UNANGO.

- Exploração dos flancos do itinerário de forma a referenciar pontos de  irradiação do IN para acções  de sabotagem.

- Organização de segurança imediata do estacionamento.

- Defesa próxima do estacionamento por emboscadas e patrulhamentos em especial sobre as linhas mais prováveis de aproximação IN.

- Em operações conjugadas com UNANGO, reconhecer eixos de aproximação sobre a SERRA JÉCI  em especial sobre as linhas de água, em progressões nocturnas, sucessivamente mais profundas , até habilitar o Comando a planear operações conjuntas com as forças de  UNANGO a MANIAMBA sobre ponto ou pontos de dispositivo IN na SERRA JÉCI.

  ZONA de UNANGO

 MISSÃO Interceptar os grupos IN de sabotagem sobre o itinerário UNANGO – CANTINA DIAS.

- Interceptar os possíveis ataques IN sobre os aldeamentos e os estacionamentos.

- Em coordenação com as forças de MACALOGE e MANIAMBA, orientar as  operações possíveis na direcção da SERRA JÉCI.

EXECUÇÃO – Vigilância e emboscadas nos flancos do itinerário UNANGO – CANTINA DIAS.

- Exploração desses flancos de forma a referenciar pontos de irradiação do IN para acções de sabotagem.

- Defesa imediata e aproximação dos estacionamentos e aldeamento tendo em especial atenção os eixos prováveis de aproximação IN.

- Reconhecer eixos de aproximação sobre a SERRA JÉCI, em especial ao longo das linhas de água, em progressões nocturnas, sucessivamente mais profundas, até habilitar o Comando a planear operações conjuntas sobre ponto ou pontos do dispositivo do IN na SERRA JÉCI.

 OBSERVAÇÕES MUITO IMPORTANTES

 1). – A progressão ao longo das linhas de água pretendia obter surpresa total do IN. A progressão era sempre nocturna de forma a que, os grupos de reconhecimento, ao alvorecer, estivessem fora dos leitos dessas linhas de água. Teríamos de nos manter durante o dia, dissimulados, e retomar o eixo da linha de água, á noite para o regresso.

2). – Se durante o dia, o Comandante do grupo de reconhecimento, julgasse vantajoso tomar a iniciativa do ataque, pelo aparecimento de um objectivo inopinado, e compensador, não hesitava.

Se, pelo contrário, verificasse que o objectivo, pela sua insignificância não era compensador e apenas serviria para alertar a zona de base IN, não se empenhava para escapar á referenciação IN.

3).- No final da base de reconhecimento, os Comandantes de Companhias em reunião fazem-se acompanhar dos elementos mais concretos, sobre os dados dos reconhecimentos feitos, a fim de possibilitar o Comando a um planeamento ofensivo sobre uma zona ou zonas de instalações IN na SERRA JÉCI.  

Com esta Directiva Operacional, procurou o Comando insuflar entusiasmo nos Comandos subordinados, de modo a manter-se a par de uma intensa actividade operacional, um perfeito conhecimento do terreno e uma adaptação tão perfeita qunto possível ao tipo de guerra que se iria enfrentar.

Assim, foi desenvolvido uma intensa actividade com patrulhamentos, batidas, desobstrução de itinerários, montagem de emboscadas, procurando-se a todo o custo detectar, perseguir, e destruir todos os meios de vida do IN, na ZA deste Sub- Sector.

Foi árdua a missão do Batalhão neste período, especialmente em manter transitável o I.P.R. entre UNANGO, MACALOGE e PAUÍLA, onde o inimigo se manifestou inicialmente com a destruição , em 23 Mar 70, da ponte LUMBIZA, em betão armado, de 20m de comprimento, 5m de largura e 4m de altura, onde o IN deve ter utilizado mais de 50 kg de T.N.T. e ainda com a implantação, no referido itinerário, de 19 engenhos explosivos. Simultaneamente, procedeu-se a uma remodelação dos planos de defesa dos estacionamentos, e uma melhoria dos postos de combate, de modo a integrar-- se na defesa, as povoações e as pistas de aterragem.

Procurou-se melhorar as condições da picada UNANGO - MACALOGE - PAUÍLA com beneficiação do referido itinerário, tendo-se  dado continuidade a trabalhos de pontes , nomeadamente a ponte sobre o Rio MOOLA, de 30m de comprimento, 08m de altura e 3,80m de largura.

 Esta ponte, quase concluída dando já passagem a viaturas pesadas, podendo considerar-se um melhoramento notável pelo que representa em melhoria das comunicações rodoviárias com PAUÍLA.

De salientar, ainda, a técnica aperfeiçoadíssima utilizada pelo IN na implantação de engenhos explosivos, minas A/C e A/P, nos itinerários do Sub-Sector , com finalidade de nos causar baixas em pessoal e em viaturas.

Verificou-se, no entanto, uma boa adaptação das NT a esta modalidade de guerra, com a detecção de 13 engenhos explosivos, contra apenas 06 accionados involuntariamente, que nos causaram feridos graves e prejuízos em viaturas auto.

Devolveu-se ainda neste período, eficiente acção PSICO- SOCIAL  com a distribuição de uma refeição diária de café com leite, a cerca de 90 crianças da escola primária de Macaloge e a pessoas mais necessitadas dos aldeamentos existentes nas imediações da mesma localidade, numa distribuição de cerca de160 refeições diárias.

Instalou-se ainda um Centro Informativo num dos aldeamentos, constituído por cartazes de acção psicológica e montagem de um botequim explorado por um nativo indicado pela Autoridade Administrativa a fim de ali atrair maior número de nativos para tomarem contacto com os referidos cartazes.

Neste botequim vende-se apenas pão e tabaco fornecido pelas Forças Armadas e outros produtos produtos cedidos pelo comerciante local.

Possivelmente devido ao centro de gravidade do espaço operacional ter incidido neste primeiro período sobre a Serra Jéci e troços do itinerário MACALOGE- UNANGO, e se ter dado orientação NORTE ao espaço operacional da companhia de PAUÍLA, o IN fez incidir a acção de sabotagem com  a implantação de minas anti- carro e anti- pessoal, no troço do itinerário MACALOGE – PAUILA, até então considerado relativamente seguro. Daí adveio o esforço exigido ás forças do Batalhão para a abertura do itinerário a fim de transportar os reabastecimentos a PAUÍLA.                                

 
Capítulo Seguinte:

Coluna de Reabastecimento a PAUÍLA