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ACTIVIDADE NA R. M . M..
Primeiro período
No dia 04 de Março de 1970 o Batalhão de caçadores nº 2908
chegou á ZA que lhe foi distribuída, distribuindo os seus
efectivos de forma seguinte:
COMANDO – C. C. S……. MACALOGE
Cª CAÇ 2667..........……….MACALOGE
Cª CAÇ
2668...........………UNANGO
Cª CAÇ
2669.....................PAUÍLA
Do antecedente,
encontrava-se em Unango, a 1ª Cª Caç. 16, Sub- Unidade de força
de intervenção do Sector, que ficou dependente, para efeitos de
intervenção, do B. Cac. 2908, na ZA do Batalhão.
As primeiras
preocupações do Comando do Batalhão foram:
1.- Recuperar o
Material recebido do Batalhão rendido de forma a
torna-lo o mais eficiente possível.
2. – Reconhecimentos, de forma a fazer conhecer a todo o
pessoal operacional, o mais urgente possível, as zonas de maior
sensibilidade da ZA.
O comando do batalhão assumiu a responsabilidade do Sub- Sector
ASA em 16 Março de 1970.
Para cumprimento do nº1 foram difundidas às companhias,
sucessivas instruções para accionarem todos os assuntos
relativos á situação dos materiais, de forma a que estes se
tornassem utilizáveis no mais breve espaço de tempo.
E assim, se foram regulando autos de incapacidade, de ruína,
requisições, ordens de trabalho, etc.
Para a execução do nº 2, difundiram-se Directivas Operacionais,
a primeira das quais se transcreve por constituir, por assim
dizer, uma das “Linhas Mestras”que informou até á presente data
a execução dos Planos da Actividade Operacional.
DIRECTIVA OPERACIONAL
1-
Observando as características da ZA atribuída ao Batalhão,
verificaram-se três compartimentos bem definidos:
- ZONA DE PAUÌLA
- ZONA DE MACALOGE
- ZONA DE UNANGO
2-
ACÇÃO DO IN
ZONA DE PAUÍLA
- Zona de Infiltração IN.
Objectivo do IN
: -
Infiltração para SO.
Minas e armadilhas no
itinerário PAUÌLA – OLIVENÇA para dificultar o patrulhamento da
zona.
ZONA de MACALOGE
– á margem de infiltração e das bases IN.
Objectivo do IN:
Esporadicamente
implantação de minas e armadilhas, para a insegurança e
dificuldade de reforços para Unango.
ZONA de UNANGO
– á beira do refúgio IN.
Objectivo do IN:
Dificultar ao máximo os
movimentos da tropa na zona.
Acções de emboscadas,
minas e armadilhas sobre o itinerário único.
3.- CONDUÇÃO GERAL DAS OPERAÇÕES DAS NT
Zona de PAUÍLA
MISSÃO –
interceptar a infiltração IN
- Interceptar os grupos IN
da Implantação de minas e armadilhas sobre o
Itinerário PAUÍLA –
OLIVENÇA
- Segurança próxima e
imediata do estacionamento.
EXECUÇÃO -
Com base no estudo das informações completada com o estudo do
terreno, das possibilidades e condicionamento do IN, escolher
criteriosamente os locais de emboscada com base nas medidas de
decepção e aproximação nocturna ao longo das linhas de água.
- Vigilância e emboscadas
sucessivas nos flancos do itinerário PAUÍLA – OLIVENÇA.
- Exploração dos flancos
do mesmo itinerário, de forma a possibilitar a referência de
pontos IN de irradiação para acções de sabotagem.
- Organização de segurança
imediata do estacionamento.
- Segurança próxima por
emboscadas e patrulhamento sobre as direcções mais prováveis de
ataque IN.
ZONA de MACALOGE
MISSÂO - interceptar
os grupos IN de sabotagem sobre o itinerário MACALOGE -
UNANGO, tendo em especial
atenção o traço do LUMBIZA.
- Defesa imediata e
próxima do estacionamento.
- Em coordenação com
UNANGO e MANIAMBA orientar as operações
Ofensivas na direcção da
SERRA JÉCI.
EXECUSSÂO -
Vigilância e emboscadas nos flancos do itinerário MACALOGE - UNANGO.
- Exploração dos flancos do
itinerário de forma a referenciar pontos de irradiação
do IN para acções de sabotagem.
-
Organização de segurança imediata do estacionamento.
-
Defesa próxima do estacionamento por emboscadas e patrulhamentos
em especial sobre as linhas mais prováveis de aproximação IN.
-
Em operações conjugadas com UNANGO, reconhecer eixos de
aproximação sobre a
SERRA JÉCI em especial sobre as linhas de
água, em progressões nocturnas, sucessivamente mais profundas ,
até
habilitar o Comando a
planear operações conjuntas com as forças de UNANGO a MANIAMBA
sobre ponto ou pontos de dispositivo IN na
SERRA JÉCI.
ZONA de UNANGO
MISSÃO
–
Interceptar os grupos IN de sabotagem sobre o itinerário UNANGO
– CANTINA DIAS.
- Interceptar os possíveis ataques IN sobre os aldeamentos e os
estacionamentos.
- Em coordenação com as forças de MACALOGE e MANIAMBA, orientar
as operações possíveis na direcção da SERRA JÉCI.
EXECUÇÃO –
Vigilância e emboscadas
nos flancos do itinerário UNANGO – CANTINA DIAS.
- Exploração desses flancos de forma a referenciar pontos de
irradiação do IN para acções de sabotagem.
- Defesa imediata e aproximação dos estacionamentos e aldeamento
tendo em especial atenção os eixos prováveis de aproximação IN.
- Reconhecer eixos de aproximação sobre a SERRA JÉCI, em
especial ao longo das linhas de água, em progressões nocturnas,
sucessivamente mais profundas, até habilitar o Comando a planear
operações conjuntas sobre ponto ou pontos do dispositivo do IN
na SERRA JÉCI.
OBSERVAÇÕES MUITO
IMPORTANTES
1).
– A progressão ao longo das linhas de água pretendia obter
surpresa total do IN. A progressão era sempre nocturna de forma
a que, os grupos de reconhecimento, ao alvorecer, estivessem
fora dos leitos dessas linhas de água. Teríamos de nos manter
durante o dia, dissimulados, e retomar o eixo da linha de água,
á noite para o regresso.
2). – Se durante o dia, o Comandante do grupo de reconhecimento,
julgasse vantajoso tomar a iniciativa do ataque, pelo
aparecimento de um objectivo inopinado, e compensador, não
hesitava.
Se, pelo contrário, verificasse que o objectivo, pela sua
insignificância não era compensador e apenas serviria para
alertar a zona de base IN, não se empenhava para escapar á
referenciação IN.
3).- No final da base de reconhecimento, os Comandantes de
Companhias em reunião fazem-se acompanhar dos elementos mais
concretos, sobre os dados dos reconhecimentos feitos, a fim de
possibilitar o Comando a um planeamento ofensivo sobre uma zona
ou zonas de instalações IN na SERRA JÉCI.
Com esta Directiva Operacional, procurou o Comando insuflar
entusiasmo nos Comandos subordinados, de modo a manter-se a par
de uma intensa actividade operacional, um perfeito conhecimento
do terreno e uma adaptação tão perfeita qunto possível ao tipo
de guerra que se iria enfrentar.
Assim, foi desenvolvido uma intensa actividade com
patrulhamentos, batidas, desobstrução de itinerários, montagem
de emboscadas, procurando-se a todo o custo detectar, perseguir,
e destruir todos os meios de vida do IN, na ZA deste Sub-
Sector.
Foi árdua a missão do Batalhão neste período, especialmente em
manter transitável o I.P.R. entre UNANGO, MACALOGE e PAUÍLA,
onde o inimigo se manifestou inicialmente com a destruição , em
23 Mar 70, da ponte LUMBIZA, em betão armado, de 20m de
comprimento, 5m de largura e 4m de altura, onde o IN deve ter
utilizado mais de 50 kg de T.N.T. e ainda com a implantação, no
referido itinerário, de 19 engenhos explosivos. Simultaneamente,
procedeu-se a uma remodelação dos planos de defesa dos
estacionamentos, e uma melhoria dos postos de combate, de modo a
integrar-- se na defesa, as povoações e as pistas de aterragem.
Procurou-se melhorar as condições da picada UNANGO - MACALOGE -
PAUÍLA com beneficiação do referido itinerário, tendo-se dado
continuidade a trabalhos de pontes , nomeadamente a ponte sobre
o Rio MOOLA, de 30m de comprimento, 08m de altura e 3,80m de
largura.
Esta ponte, quase concluída dando já passagem a viaturas
pesadas, podendo considerar-se um melhoramento notável pelo que
representa em melhoria das comunicações rodoviárias com PAUÍLA.
De salientar, ainda, a técnica aperfeiçoadíssima utilizada pelo
IN na implantação de engenhos explosivos, minas A/C e A/P, nos
itinerários do Sub-Sector , com finalidade de nos causar baixas
em pessoal e em viaturas.
Verificou-se, no entanto, uma boa adaptação das NT a esta
modalidade de guerra, com a detecção de 13 engenhos explosivos,
contra apenas 06 accionados involuntariamente, que nos causaram
feridos graves e prejuízos em viaturas auto.
Devolveu-se ainda neste período, eficiente acção PSICO- SOCIAL
com a distribuição de uma refeição diária de café com leite, a
cerca de 90 crianças da escola primária de Macaloge e a pessoas
mais necessitadas dos aldeamentos existentes nas imediações da
mesma localidade, numa distribuição de cerca de160 refeições
diárias.
Instalou-se ainda um Centro Informativo num dos aldeamentos,
constituído por cartazes de acção psicológica e montagem de um
botequim explorado por um nativo indicado pela Autoridade
Administrativa a fim de ali atrair maior número de nativos para
tomarem contacto com os referidos cartazes.
Neste botequim vende-se apenas pão e tabaco fornecido pelas
Forças Armadas e outros produtos produtos cedidos pelo
comerciante local.
Possivelmente devido ao centro de gravidade do espaço
operacional ter incidido neste primeiro período sobre a Serra
Jéci e troços do itinerário MACALOGE- UNANGO, e se ter dado
orientação NORTE ao espaço operacional da companhia de PAUÍLA, o
IN fez incidir a acção de sabotagem com a implantação de minas
anti- carro e anti- pessoal, no troço do itinerário MACALOGE –
PAUILA, até então considerado relativamente seguro. Daí adveio o
esforço exigido ás forças do Batalhão para a abertura do
itinerário a fim de transportar os reabastecimentos a
PAUÍLA.
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