Batalhão  2908

 

Unango - Macaloge - Pauila

 
1970

MOÇAMBIQUE

1972

 
 
 
 

Guerra nos Céus

Guerra Subterrânea

Patrulhamento

Picagem e Itinerários

 
           
 

Logística

Evacuação de Feridos

Morte e dor

   
 
A Voz da Revolução / FRELIMO
 
 

Guerra subterrânea

 Minas

 AS MINAS foram as mais temidas de todas as armas que os militares enfrentaram no teatro de operações. Utilizadas de forma isolada, ou conjugadas com emboscadas, limitaram fortemente a mobilidade das forças portuguesas em acções tácticas e logísticas, apeadas ou em viatura, sendo também responsáveis por atrasos nos reabastecimentos, por destruições em veículos e, acima de tudo, por elevada percentagem de baixas.

Fornilho de Picada Mina de Madeira

Contudo a utilização das minas na guerra não foi exclusivo dos guerrilheiros, pois as forças portuguesas também fizeram largo emprego delas e de outros engenhos explosivos, principalmente as armadilhas com granada explosiva de fragmentação e rebentamento instantâneo, detonada através de arame de tropeçar. Por parte dos guerrilheiros, além das minas anticarros foram também utilizados «fornilhos», quase sempre constituídos por granadas de mão, de morteiro e de artilharia, não rebentadas, e bombas de avião conjugadas com explosivos e accionadas por mecanismos de explosão – detonador eléctrico ou pirotécnico. Os «fornilhos» eram colocados nos itinerários e conjugavam o efeito das minas anticarros com minas antipessoais.

Minas Anticarro Rebentamento de uma Mina

Em Moçambique, o aparecimento de engenhos explosivos ocorreu em Nova Coimbra no Niassa. Ao longo dos anos da guerra, a utilização de minas por parte dos guerrilheiros nos três teatros de operações teve a máxima expressão em Moçambique. Primeiro nas zonas do Niassa e de Cabo Delegado e, posteriormente, na de Tete.

Moçambique reunia condições ideais para utilização deste tipo de arma por parte da Frelimo, pois as vias de comunicação indispensáveis ás forças portuguesas eram extensas e más, não existiam nas zonas de guerra estradas alcatroadas. Por seu lado, os guerrilheiros dispunham da vantagem de acções bélicas se desenrolarem relativamente próximo das suas bases logísticas, o que facilitava o transporte do grande volume de cargas que a guerra de minas exige. Não admira, pois, que em Moçambique os principais itinerários de reabastecimento das forças portuguesas se tenham transformado em verdadeiros campos minados.

Mina Anti-Pessoal Levantamento de uma Mina

No inicio dos anos 70, o percurso de cerca de entre quatro a seis horas, e num só quilometro de estrada encontraram-se, mais de 10 a 20 minas!

No Niassa, nas estradas que irradiam de Vila Cabral para Metangula, Nova Viseu ou Tenente Valadim, as minas associadas á quase inexistência de vias, ao clima chuvoso e ao terreno ravinado junto ao lago transformaram os movimentos necessários á sobrevivência das tropas e ao seu emprego em combate em operações de grande duração e desgaste, que esgotavam só por si as suas capacidades e lhes retiravam a iniciativa. Em Moçambique também nas linhas férreas da Beira e de Nacala foram implantadas minas, que dificultaram o transporte de mercadorias e reabastecimentos, obrigando a complexas e desgastantes operações de escolta.