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Guerra subterrânea
Minas
AS MINAS
foram as mais temidas de todas as armas que os militares
enfrentaram no teatro de operações. Utilizadas de forma
isolada, ou conjugadas com emboscadas, limitaram
fortemente a mobilidade das forças portuguesas em acções
tácticas e logísticas, apeadas ou em viatura, sendo
também responsáveis por atrasos nos reabastecimentos,
por destruições em veículos e, acima de tudo, por
elevada percentagem de baixas.
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Fornilho de Picada |
Mina de Madeira |
Contudo a utilização das minas
na guerra não foi exclusivo dos guerrilheiros, pois as
forças portuguesas também fizeram largo emprego delas e
de outros engenhos explosivos, principalmente as
armadilhas com granada explosiva de fragmentação e
rebentamento instantâneo, detonada através de arame de
tropeçar. Por parte dos guerrilheiros, além das minas
anticarros foram também utilizados «fornilhos», quase
sempre constituídos por granadas de mão, de morteiro e
de artilharia, não rebentadas, e bombas de avião
conjugadas com explosivos e accionadas por mecanismos de
explosão – detonador eléctrico ou pirotécnico. Os
«fornilhos» eram colocados nos itinerários e conjugavam
o efeito das minas anticarros com minas antipessoais.
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Minas Anticarro |
Rebentamento de uma Mina |
Em Moçambique, o aparecimento
de engenhos explosivos ocorreu em Nova Coimbra no
Niassa. Ao longo dos anos da guerra, a utilização de
minas por parte dos guerrilheiros nos três teatros de
operações teve a máxima expressão em Moçambique.
Primeiro nas zonas do Niassa e de Cabo Delegado e,
posteriormente, na de Tete.
Moçambique reunia condições
ideais para utilização deste tipo de arma por parte da
Frelimo, pois as vias de comunicação indispensáveis ás
forças portuguesas eram extensas e más, não existiam nas
zonas de guerra estradas alcatroadas. Por seu lado, os
guerrilheiros dispunham da vantagem de acções bélicas se
desenrolarem relativamente próximo das suas bases
logísticas, o que facilitava o transporte do grande
volume de cargas que a guerra de minas exige. Não
admira, pois, que em Moçambique os principais
itinerários de reabastecimento das forças portuguesas se
tenham transformado em verdadeiros campos minados.
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Mina Anti-Pessoal |
Levantamento de uma Mina |
No inicio dos anos 70, o
percurso de cerca de entre quatro a seis horas, e num só
quilometro de estrada encontraram-se, mais de 10 a 20
minas!
No Niassa, nas estradas que
irradiam de Vila Cabral para Metangula, Nova Viseu ou
Tenente Valadim, as minas associadas á quase
inexistência de vias, ao clima chuvoso e ao terreno
ravinado junto ao lago transformaram os movimentos
necessários á sobrevivência das tropas e ao seu emprego
em combate em operações de grande duração e desgaste,
que esgotavam só por si as suas capacidades e lhes
retiravam a iniciativa. Em Moçambique também nas linhas
férreas da Beira e de Nacala foram implantadas minas,
que dificultaram o transporte de mercadorias e
reabastecimentos, obrigando a complexas e desgastantes
operações de escolta.
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